Rio Vermelho Salvador Bahia Aerial View 2021-0475.jpg
ガイド 53 / 64 · Salvador · 8 min · 1.610 palavras

Rio Vermelho o bairro boêmio e a noite de Salvador

Vida noturna do Rio Vermelho: os largos, o acarajé no fim da tarde, o Mercado do Peixe de madrugada, a Casa de Iemanjá e a casa de Jorge Amado.

Via Avantgardeより

O essencial em 30 segundos

O Rio Vermelho é onde Salvador sai à noite. A vida noturna do Rio Vermelho funciona mais em mesas de plástico e comida de rua do que em portas com fila: uma antiga colônia de pescadores que virou bairro boêmio e acabou sendo a cozinha noturna da cidade. Coma acarajé no tabuleiro de uma baiana no fim da tarde, no Largo de Santana, beba no Largo da Mariquita até as mesas tomarem a rua e termine com frutos do mar no Mercado do Peixe numa hora em que o resto da cidade dorme. É aqui também que ficam a Casa de Iemanjá e as oferendas ao mar de 2 de fevereiro, e a antiga casa de Jorge Amado. Fique por aqui se as noites importam mais que as manhãs; senão, apareça em qualquer noite de terça a domingo.

Da colônia de pescadores à cozinha noturna da cidade

O Rio Vermelho começou como vila de pescadores e, no que importa, ainda é uma. Um comerciante francês chamado Tollenare passou por aqui por volta de 1817 e descreveu o lugar como um povoado de umas cem cabanas na foz de um pequeno rio. Os pescadores já estavam aqui muito antes — a colônia trabalha este trecho de costa desde o século XVII — e seus descendentes ainda lançam os barcos da mesma enseada de pedras. O nome é mais antigo ainda: vem do tupi Camarajipe, o rio dos camarás — uma florzinha vermelha que crescia por aqui em profusão e deu ao riozinho, e depois ao bairro, a sua cor. As pedras avermelhadas da praia às vezes levam o crédito; a flor é a versão mais bem documentada. O capítulo boêmio veio no século XX, quando escritores, músicos e artistas fizeram do bairro o seu canto, Jorge Amado à frente de todos. O que se tem hoje é um bairro residencial e um tanto puído de dia, que enche depois que escurece. Para situá-lo entre os outros bairros de Salvador, nosso guia de bairros dá o contexto.

A Casa de Iemanjá e a colônia de pescadores

A colônia ativa, a Colônia de Pescadores Z-1, fica na beira-mar junto à Igreja de Sant'Ana, e ao lado está a Casa de Iemanjá — uma casinha guardada para o orixá do mar. Na maior parte do ano é um lugar tranquilo. No dia 2 de fevereiro vira o centro de uma das maiores festas populares do Brasil. A colônia faz sua oferenda a Iemanjá nessa data desde 1923. Antes do amanhecer, os pescadores levam o balaio principal de flores e presentes até a orla; ele fica no caramanchão ao longo do dia, enquanto milhares fazem fila para juntar as próprias flores, e no fim da tarde os barcos levam tudo para o mar. Salvador reconheceu a festa como patrimônio imaterial em 2020. Se você estiver por aqui no começo de fevereiro, nosso guia do Réveillon e de Iemanjá explica o que acontece e como participar sem atrapalhar.

Bom saber — No dia 2 de fevereiro o bairro inteiro fecha para carros e fica lotado desde a madrugada. É um dos grandes dias para estar em Salvador, mas venha a pé ou de táxi, e venha cedo — nunca de carro.

Acarajé no fim da tarde, e a "guerra das baianas"

O ritual diário aqui é o acarajé. No fim da tarde as baianas montam os tabuleiros nos largos e forma-se a fila — um bolinho de feijão-fradinho frito no dendê, aberto e recheado com vatapá, caruru, camarão seco e a pimenta que você aguentar, entregue quente por uns R$ 12 (cerca de €2). Três nomes contam, e cada um tem quem o defenda. No Largo de Santana — que meia cidade chama simplesmente de Largo da Dinha — o tabuleiro fundado por Dinha reúne gente há sessenta anos, com Regina trabalhando no mesmo largo. Algumas ruas adiante, no Largo da Mariquita, Cira comanda o tabuleiro há cerca de cinquenta anos e já foi eleita o melhor da cidade mais de uma vez. Há história de verdade por trás da rivalidade. Em outubro de 1998, uma disputa de território entre as baianas virou o que os jornais chamaram de guerra das baianas e foi parar no noticiário nacional, até a prefeitura entrar com um decreto definindo onde cada uma podia ficar. Todas fizeram as pazes. Os três tabuleiros seguem lá, os três são instituições, e o mais sensato é provar mais de um.

A vida noturna do Rio Vermelho: os largos depois do escuro

Lá pelas nove ou dez da noite os mesmos largos mudam de caráter. Os largos — Santana e Mariquita acima de tudo — se enchem de mesas de plástico e cerveja gelada, e numa sexta ou num sábado dá a impressão de que a cidade inteira veio beber ao ar livre. Há bares de verdade atrás das mesas, mas a cena é a rua: você compra a cerveja, puxa um banquinho e fica. É barulhento, barato e sem nenhuma pose, e é o retrato mais nítido da vida noturna do Rio Vermelho que você vai ter. As noites de semana são mais calmas, mas raramente mortas, e o movimento afrouxa no domingo e na segunda. Para ver como isso se encaixa no mapa noturno maior — o Pelourinho numa terça, os bares de praia, as noites de balada — veja nosso guia de Salvador à noite.

Bom saber — As mesas dos largos são território de dinheiro e PIX. Boa parte dos bares menores e todo tabuleiro de acarajé vão querer PIX ou notas pequenas, não um cartão estrangeiro — leve alguns reais antes de sentar.

Música ao vivo, se você quiser um palco

Nem tudo no Rio Vermelho acontece na calçada. O bairro é há muito tempo o polo de música ao vivo de Salvador, e no Largo da Mariquita vários bares põem uma banda quase toda noite. Para uma casa de verdade, com programação, o Commons Studio Bar é a casa de shows mais conhecida do bairro — um espaço de porte médio construído em parte com paletes e caixotes de feira, para algumas centenas de pessoas, com uma agenda que vai do samba e da MPB ao pop ao longo da semana. As atrações mudam o tempo todo, então confira a programação atual da casa em vez de confiar num nome que você leu meses atrás. O Teatro Sesi, ali perto, também recebe shows intimistas de música popular brasileira. O que está em cartaz em cada noite é justamente o que nosso guia de música, vida noturna e Carnaval mantém atualizado.

Comer tarde: o Mercado do Peixe

O bairro tem a maior concentração de restaurantes de Salvador, da cozinha baiana contemporânea aos balcões de sushi e aos botecos de esquina, e faria falta uma página só para isso — que é para o que serve o nosso guia de restaurantes de Salvador. O que o Rio Vermelho faz como nenhum outro canto da cidade é a madrugada. O Mercado do Peixe, na beira d'água, é um punhado de boxes onde quase sempre há pelo menos uma cozinha fritando peixe e servindo cerveja a qualquer hora da noite. É onde cozinheiros, foliões e taxistas param na madrugada, diante de um prato de camarão ou de uma mariscada. É tosco e não tem grande beleza. Também é a melhor refeição tarde da noite na cidade, no julgamento de quem trabalha à noite.

A Casa do Rio Vermelho, de Jorge Amado

Para uma hora que não tem nada a ver com bebida, caminhe até a Casa do Rio Vermelho, na Rua Alagoinhas, 33 — a casa onde o romancista Jorge Amado viveu com a escritora Zélia Gattai, hoje um memorial aos dois. O jardim guarda as cinzas do casal, e os cômodos são dedicados aos livros, às fotografias e aos filmes deles. Abre de terça a domingo, das 9h às 17h, com última entrada às 16h; a entrada custa R$ 20 (uns US$4), meia com o documento certo, e é de graça às quartas. Você confere o horário do dia na página da secretaria municipal de cultura. Amado ambientou boa parte da sua Bahia por aqui; a casa é o contrapeso silencioso aos largos a duas ruas dali.

Vale a pena ficar no Rio Vermelho? E uma palavra sobre segurança

O posicionamento honesto é este. Se as noites são o ponto da sua viagem, ficar no próprio Rio Vermelho deixa você voltar a pé das mesas. Para a maioria dos visitantes, porém, o que puxa de dia é a Cidade Alta histórica — as igrejas, o Pelourinho, as vistas — e o Rio Vermelho fica a um táxi curto, uns quinze minutos do centro fora do horário de pico. Hospede-se lá em cima e desça à noite, em qualquer dia de terça a domingo, e você fica com o melhor dos dois. Nosso guia de onde se hospedar em Salvador pesa os bairros um contra o outro.

Sobre segurança: os largos cheios numa noite de fim de semana são o que Salvador tem de mais tranquilo, cheios de famílias e de polícia. Mantenha o bom senso de sempre — celular guardado, só o necessário no bolso — e vai ficar tudo bem. O único lugar a evitar é a orla escura e as pedras tarde da noite, longe das luzes e da multidão. Fique onde está a gente.

Esse último ponto é, no fundo, o argumento do nosso próprio canto da cidade. Nossas suítes ficam lá em cima, na Cidade Alta, a poucos minutos do Elevador Lacerda, então os dias se passam a pé no centro histórico e as noites no Rio Vermelho terminam com um táxi rápido de volta a uma rua quieta, em vez de uma travessia longa pela cidade. Dê uma olhada nas suítes quando for planejar a viagem.

街を、そばに

さあ、 サルバドール を発見しますか?

ペロウリーニョにあるVia Avantgardeの4スイートから1つをご予約ください — 滞在中のおすすめが付いた完全ガイドをお届けします。