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ガイド 56 / 64 · Salvador · 11 min · 1.420 palavras

Igreja do Bonfim & as Fitas a colina sagrada e as fitinhas de desejo

Guia da Igreja do Senhor do Bonfim em Salvador: a colina sagrada, o ritual das fitas do Bonfim, a Sala dos Milagres, o sincretismo com Oxalá e como chegar.

Via Avantgardeより

O essencial em 30 segundos

Este guia cobre a Igreja do Senhor do Bonfim, a basílica branca do século XVIII na Colina Sagrada que é a igreja mais amada da Bahia — e a casa das coloridas fitas do Bonfim, as fitinhas de desejo que você vê amarradas em pulsos e grades por toda Salvador. Aqui vai o que é de fato o ritual da fita e como fazê-lo direito, a extraordinária Sala dos Milagres lá dentro, a fé dupla — católica e do candomblé — que bate sob este mesmo teto, quando acontece a grande Lavagem e como chegar à península de Itapagipe a partir do centro histórico. Fica a uns oito quilômetros do Pelourinho, vale a curta viagem, e é de graça.

Onde fica: a Colina Sagrada

A Basílica do Senhor do Bonfim está sobre uma pequena colina, a Colina Sagrada, lá na península de Itapagipe, na Cidade Baixa de Salvador — cerca de oito quilômetros ao norte do Pelourinho e da cidade alta histórica. É longe demais para ir a pé e vale um táxi ou aplicativo, de quinze a vinte e cinco minutos conforme o trânsito; o nosso guia de como circular por Salvador mostra as opções. A recompensa da viagem é uma serena igreja branca e azul com um largo adro, emoldurada pelas duas coisas que a tornam inconfundível: centenas de milhares de fitas coloridas atadas a cada grade, e a vista de volta para a baía. Não é uma parada de museu; é um lugar de devoção vivo, o coração espiritual da cidade, e se sente como tal.

A igreja em si

A devoção aqui começou no mar. Um capitão português, grato por sobreviver a uma tempestade, trouxe uma imagem do Senhor do Bonfim — o Cristo crucificado, o do bom fim — de Setúbal, em Portugal, e a imagem foi instalada nesta colina em 1745. A basílica ao redor foi concluída em 1754, uma graciosa igreja colonial cujo interior rococó e teto pintado recompensam um olhar demorado para cima. Em quase três séculos, tornou-se a igreja a que os baianos recorrem para pedir proteção e agradecer, mais que qualquer grande catedral do centro. Para entender onde ela se situa entre as outras grandes igrejas da cidade — a dourada São Francisco, a do Rosário dos Pretos erguida por africanos escravizados — leia o nosso guia das igrejas de Salvador.

As fitas do Bonfim — o ritual de verdade

A fita colorida é a lembrança mais famosa da Bahia, e quase todo mundo faz errado. A fita do Bonfim é uma medida: o seu comprimento, cerca de quarenta e sete centímetros, é o comprimento exato do braço direito da imagem do Cristo da igreja, e a tradição da "fita medida" remonta a mais ou menos 1809. Para fazer direito, peça a alguém que amarre a fita no seu pulso com três nós e faça um pedido a cada nó. Depois é só deixar. Você não corta — cortar, dizem, corta junto os pedidos. Você usa a fita em banhos de mar e de chuveiro e por semanas até que ela se desgaste e caia sozinha, e quando enfim arrebenta, a tradição diz que os três pedidos se realizam. É por isso que você vê gente da terra com o pulso cheio de fitas desbotadas de meses: cada uma é um desejo ainda em curso. Pegue algumas aqui, ou no Mercado Modelo, e amarre uma antes de deixar a colina.

Bom saber — As fitas custam quase nada — um ou dois reais, e muitas vezes os vendedores lá fora amarram uma por uma gorjetinha. Leve um punhado para casa de presente; são a melhor lembrança barata da cidade e carregam uma história de verdade. A única regra que importa: três nós, três desejos, e nunca tesoura. Deixe cair sozinha.

Duas fés sob um só teto

O que torna o Bonfim extraordinário é que duas religiões cultuam aqui ao mesmo tempo. No sincretismo que Salvador inventou para sobreviver, o católico Senhor do Bonfim é também Oxalá, o mais velho e maior dos orixás do candomblé, o pai do panteão, cuja cor é o branco e cujo dia é a sexta-feira. É por isso que os baianos vestem branco às sextas, e por que a multidão na colina mistura terço e candomblé sem contradição. É o exemplo mais claro da fé dupla que atravessa a cidade inteira, contada por completo no nosso guia do candomblé para visitantes e situada na sua história no nosso guia da herança afro-brasileira.

A Sala dos Milagres

Num dos lados da igreja está a Sala dos Milagres, e é inesquecível. Por gerações, gente curada de uma doença ou salva de um acidente deixou uma oferenda de agradecimento — e, como o agradecimento é específico, as oferendas também são: réplicas de cera e madeira de pernas, braços, corações e cabeças curados pendem do teto às centenas, ao lado de fotografias, muletas, camisas de futebol e bilhetes escritos à mão. É em parte arte popular, em parte oração coletiva, e conta sobre a fé na Bahia mais do que qualquer placa poderia. A entrada é gratuita, como a da igreja; dedique alguns minutos a ler a sala em vez de atravessá-la depressa.

A Lavagem do Bonfim

Uma vez por ano a colina recebe uma das grandes festas populares do Brasil. Na segunda quinta-feira de janeiro, a Lavagem do Bonfim leva um cortejo por oito quilômetros da Cidade Baixa até a igreja, à frente centenas de baianas de branco que lavam as escadarias com água de cheiro e flores num ritual abertamente católico e de candomblé ao mesmo tempo. Reúne mais de um milhão de pessoas e só perde para o Carnaval no calendário da cidade. Se a sua viagem cair em janeiro, não perca — e leia antes o nosso guia da Lavagem do Bonfim, porque a data, o trajeto e a etiqueta recompensam um pouco de preparo.

Bom saber — A basílica abre todos os dias, mais ou menos do começo da manhã até por volta das 18h, com uma pausa ao meio-dia em alguns dias; a terça é o dia tradicional de devoção e o mais cheio. Vista-se com recato para entrar — ombros e joelhos cobertos. Junte a visita ao mirante da Ponta de Humaitá ali perto e às antigas sorveterias da Ribeira logo adiante, e a península vira uma meia manhã satisfatória em vez de uma parada só.

Vale a viagem — e é fácil a partir do centro

O Bonfim é um dos poucos pontos de Salvador que é ao mesmo tempo devoção local genuína e visita fácil e gratificante para quem vem de fora — você pode ficar no mesmo adro que uma família agradecendo e sair com uma fita no pulso e um entendimento real de como a cidade crê. Do centro histórico é uma corrida curta de ida e volta, o que é mais um motivo para se hospedar lá em cima e não lá pelas praias. As nossas quatro suítes ficam na Cidade Alta, a minutos do Pelourinho e do Elevador Lacerda, então uma manhã no Bonfim e uma tarde na cidade velha cabem num único dia tranquilo. Dê uma olhada nas nossas quatro suítes ao planejar a viagem.

街を、そばに

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