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ガイド 48 / 64 · Salvador · 10 min · 1.967 palavras

Ilha de Itaparica a ilha em frente que quase ninguém visita

Ilha de Itaparica saindo de Salvador: o ferry de São Joaquim ou a lancha de Mar Grande, vila colonial e forte, praias de baía, ostras frescas e a ponte que vem aí.

Via Avantgardeより

O essencial em 30 segundos

A Ilha de Itaparica é aquela longa faixa verde que você fica olhando do outro lado da água, de qualquer terraço da Cidade Alta — e a piada silenciosa de Salvador é que a maioria dos visitantes nunca põe o pé nela. Chegar à Ilha de Itaparica saindo de Salvador tem duas formas: o ferry de carros de São Joaquim, uma hora atravessando a parte mais larga da baía, ou a pequena lancha de Mar Grande, cinquenta minutos a partir do Terminal Náutico, embaixo do Elevador Lacerda. O que espera do outro lado não é um corredor de resorts. É uma vila colonial com um forte do século XVIII e uma igreja rebocada com óleo de baleia, praias de baía onde a água quase não se move, e barracas onde o almoço é um prato de ostras e uma cerveja gelada numa mesa de plástico. O lugar é pacato. É exatamente esse o ponto. Reserve meio dia para a vila ou um dia inteiro para uma praia, e programe o barco de volta para o fim da tarde, quando a silhueta da cidade se acende do outro lado da água, atrás de você.

A ilha que você vive olhando

A Baía de Todos os Santos guarda cerca de cinquenta ilhas, e Itaparica é de longe a maior — uns 239 quilômetros quadrados, o que faz dela a maior ilha marítima do Brasil. Fica bem em frente a Salvador, perto o bastante para você acompanhar o tempo por cima dela da Cidade Alta, longe o bastante para a travessia parecer sair da cidade por completo. Dois municípios a dividem: a cidade de Itaparica, na ponta norte, e a bem maior Vera Cruz, cuja sede é a cidade-ferry de Mar Grande e que abrange quase toda a ilha até os manguezais do sul. Para um lugar deste tamanho, a uma hora de uma capital, é surpreendentemente pouco desenvolvida — algumas vilas pequenas, muitos coqueiros e longos trechos de costa sem nada além de uma barraca e um barco de pesca. As pessoas vêm passar o dia e voltam ao entardecer; pouquíssimas ficam. Nada disso é abandono, e sim o feitio da ilha — vale saber antes de ir, porque se você chegar esperando atrações para riscar de uma lista, às duas da tarde já estará decepcionado.

Duas formas de chegar à Ilha de Itaparica saindo de Salvador

São duas travessias honestas, e cada uma serve a um tipo de dia. O ferry de carros de São Joaquim sai mais ou menos de hora em hora, das 05h às 23h30 — a partir das 06h aos domingos — e leva de 60 a 80 minutos para cruzar a parte mais larga da baía até o terminal de Bom Despacho. O pedestre paga R$ 7,20 nos dias úteis e R$ 9,50 nos fins de semana e feriados; um carro pequeno atravessa por R$ 64,70 (cerca de US$ 13), segundo a tabela de tarifas em vigor desde março de 2026. É a opção para quem leva carro ou vai para o extremo sul da ilha, embora Bom Despacho deixe você a uma boa distância de carro da vila antiga.

A lancha de Mar Grande é o outro caminho. Esses barquinhos de passageiros saem do Terminal Náutico, ao lado do Mercado Modelo, bem embaixo do Elevador Lacerda, a cada meia hora mais ou menos, e levam uns 50 minutos até Mar Grande. A passagem fica entre R$ 8,60 e R$ 10,50 nos dias úteis e R$ 13,50 aos domingos e feriados — e, em 2026, a tarifa de feriado vale também na terça-feira de Carnaval e no São João. Ela deixa você direto numa cidade de praia, e não num terminal de carros, o que a torna a melhor escolha para um dia a pé. As duas rotas, com as escunas de passeio que também param aqui, estão detalhadas no nosso guia de passeios de barco pela Baía de Todos os Santos.

Bom saber — Os dois barcos saem de lugares diferentes. A lancha de Mar Grande parte do Terminal Náutico, no centro, a poucos minutos da Cidade Alta; o ferry de carros sai de São Joaquim, um táxi ao norte, passando pela feira de mesmo nome. Não apareça em um esperando o outro — é um erro que acontece de verdade e pode custar uma hora.

A vila de Itaparica: um forte, duas igrejas e uma fonte

A vila de Itaparica, na ponta norte da ilha, é o motivo de encarar a travessia mais longa. Ela guardava a entrada do Recôncavo — o anel de cidades de açúcar em volta da baía — e ainda está cercada pelas provas disso. O Forte de São Lourenço, baixo e atarracado sobre a praia, foi reconstruído a partir de 1711 pelo governador Dom Lourenço de Almeida no lugar de uma fortificação anterior, erguida quando os holandeses ocuparam a ilha por pouco tempo, nos anos 1640; ele cobria o único porto natural deste lado e, muito depois, foi de onde os ilhéus canhonearam a esquadra portuguesa na guerra de independência da Bahia. A poucos passos, a Igreja de São Lourenço é do começo do século XVII e é dedicada a São Lourenço, padroeiro da ilha. A mais imponente Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento ficou pronta em 1794, depois de mais de três décadas de obra, com as paredes assentadas em cal, pedra e óleo de baleia, à moda local; é monumento tombado e foi restaurada entre 2018 e 2021. Na beira-mar, a Fonte da Bica é uma fonte de água mineral revestida de pedra nos anos 1840 e tida como a única fonte hidromineral à beira-mar das Américas — ainda jorra, e os moradores ainda enchem garrafas ali. Venha num dia de semana e boa parte da vila está fechada e devagar; as igrejas costumam ficar trancadas entre as missas. Isso é Itaparica sendo ela mesma, não decepcionando você.

Mar Grande, ostras e uma mesa de plástico

Mar Grande, onde a lancha atraca, é a metade trabalhadora da ilha — uma cidadezinha de praia de verdade, não um monumento, com fila de ferry, uma praça e uma fileira de barracas à beira de uma água calma, rasa e morna de baía. É aqui que a ilha se justifica como passeio de um dia. O que você quer é uma cadeira de plástico meia na sombra, uma cerveja grande esquentando no calor e uma sequência de petiscos saindo da cozinha atrás de você: peixe frito, casquinha de siri e, acima de tudo, ostras. A baía é terra de ostra — colhida nas raízes de mangue da costa sul da ilha, onde famílias trabalham os bancos de marisco há gerações e a universidade fez os primeiros testes locais de cultivo lá nos anos 1970 — e uma dúzia aberta na hora, temperada apenas com limão, é a glória honesta do lugar. As cozinhas daqui também fazem uma bela moqueca de arraia, que você não vê em muitos cardápios do continente. Para saber o que é cada coisa antes de apontar, nosso guia da comida baiana percorre tudo.

Bom saber — As barracas trabalham com dinheiro e PIX, não com maquininha, e o sinal numa mesa de plástico na areia não é de confiança. Leve reais em notas pequenas para o dia — as ostras, a cerveja e a passagem do barco todos pedem isso.

As praias de baía, sem ondas

Toda a costa leste de Itaparica olha de volta para a baía, o que significa que o mar aqui quase não faz nada — água plana, morna e rasa sobre areia clara, o oposto das praias de ondas do lado atlântico de Salvador. Ponta de Areia, logo ao norte do terminal de Mar Grande, é a fácil: uma faixa de areia macia com coqueiros atrás, barracas e sombra suficiente para perder uma tarde. Mais para baixo, na costa de Vera Cruz, Barra Grande é mais quieta e menos construída, com a água ainda de espelho. A mais bonita de todas é a Praia da Penha, onde uma pequena igreja branca, a Igreja de Nossa Senhora da Penha, fica bem na ponta, no fim da areia; costuma estar trancada — o padre vem de Salvador só para as missas de festa — mas as piscinas naturais que se abrem sobre o recife em frente a ela, na maré baixa, são o motivo de caminhar até lá. Siga para o sul e a costa vira mangue e areia quase deserta em torno de Cacha Pregos, de onde vêm as ostras. Onde cada uma dessas se encaixa em relação às praias do continente está no nosso guia de praias perto de Salvador.

Um Club Med que sumiu e uma ponte em obras

Duas coisas emolduram a história recente de Itaparica, uma que se foi e outra que chega. Por quarenta anos a ilha teve um Club Med — inaugurado em 1979, o primeiro resort all-inclusive da América do Sul, 330 apartamentos atrás dos próprios portões — até a empresa sair em 2019 e deixar o terreno para ser demolido e reconstruído. Para certo tipo de viajante brasileiro, "Itaparica" ainda quer dizer aquele resort que sumiu. O que chega é bem maior: a Ponte Salvador–Itaparica, uma ponte de 12,4 quilômetros que ligaria a capital direto à ilha e, dizem seus construtores, seria a maior ponte sobre a água da América Latina. Depois de anos de sondagens e adiamentos, a obra pesada enfim começou em meados de 2026, com um consórcio sino-brasileiro no comando e a conclusão ainda distante — a meta atual é por volta de 2031. Dá para acompanhar no site oficial do projeto. Quando abrir, vai trocar a hora de ferry por quinze minutos de carro e mudar por completo esta ilha pacata. O que é mais um motivo para ver Itaparica como ela é agora.

O cartão-postal é a volta

Eis o que ninguém conta sobre um dia em Itaparica: a melhor vista não está na ilha. A orla da baía de Salvador olha para o oeste, então, quando o barco da tarde volta em direção ao Terminal Náutico, toda a cidade alta emerge da água à sua frente — a crista da Cidade Alta, o Elevador Lacerda, a cúpula branca da Igreja do Bonfim lá longe na sua península — e, no fim da tarde, com o sol se pondo atrás de você por cima da ilha, tudo fica da cor de uma moeda. Programe a travessia para o fim do dia, se puder. É a foto que você veio buscar em Salvador, e só dá para tirá-la da água.

Meio dia, ou o dia inteiro

Para meio dia, pegue um barco no meio da manhã, caminhe pela vila antiga — forte, igrejas, a Fonte da Bica —, coma ostras à beira-mar e pegue uma travessia no fim da tarde para ver aquela silhueta. Para um dia inteiro, atravesse mais cedo, passe o meio do dia numa praia de baía em Ponta de Areia ou Barra Grande e deixe o ritmo do lugar comandar o relógio, não o contrário. De todo jeito, não sobrecarregue: Itaparica não recompensa roteiro apertado, e metade do valor está na hora sobre a água em cada ponta. Se você preferir o dia todo organizado — barco, almoço, uma parada para banho —, nossa escuna dos Frades e Itaparica encaixa a ilha num passeio clássico pela baía. É um dos mais tranquilos bate-voltas de Salvador que existem.

O bacana é como tudo começa perto. A lancha de Mar Grande sai do Terminal Náutico, ao pé do Elevador Lacerda, a poucos minutos ladeira abaixo da nossa porta — dá para estar comendo ostras do outro lado da baía menos de uma hora depois do café e voltar a tempo de um banho antes do jantar. Essa proximidade com a água, e com o centro histórico acima dela, é o argumento para se hospedar na Cidade Alta: dê uma olhada nas nossas suítes boutique, todas a uma curta caminhada dos barcos.

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